quinta-feira, 23 de julho de 2015

O VOTO NA BÍBLIA



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O VOTO NA BÍBLIA

Embora a palavra apareça nas Escrituras no sentido de eleição ou decisão (At.1.26; 26.10), o significado mais comum do voto é o de uma promessa solene.  Hoje em dia, costuma-se falar em "propósito", talvez com o mesmo sentido, mas isto só é verdade se a pessoa faz uma promessa a Deus em oração, dizendo: "Farei tal coisa" ou "prometo tal coisa".  Propósito sem oração não tem valor espiritual.

O objeto da promessa é livre, mas não vale prometer o inexequível,  o que não me pertence ou o que foi proibido. Não adianta dizer: "Prometo que darei o carro da minha mãe como oferta" ou "Prometo que nunca vou matar ninguém". Isso não é mais do que a minha obrigação. Por exemplo, dinheiro de prostituição não deve ser apresentado diante do Senhor sob qualquer pretexto (Dt.23.18).

O primeiro exemplo de voto está em Gênesis 28.20-22: "E Jacó fez um voto, dizendo: Se Deus for comigo, e me guardar nesta viagem que faço, e me der pão para comer, e vestes para vestir; e eu em paz tornar à casa de meu pai, o Senhor me será por Deus; E esta pedra que tenho posto por coluna será casa de Deus; e de tudo quanto me deres, certamente te darei o dízimo".

A hora do aperto muitas vezes se transforma na hora do voto (1Sm.1.11,21). Depois, o próprio Deus mencionou o voto de Jacó em Gn.31.13, ou seja, o Senhor estava atento e, obviamente, não se esqueceu da promessa. O pedido de Jacó era coerente com o propósito de Deus. Por isso foi atendido. É provável que todas aquelas bênçãos viriam sem o voto, pois o Senhor já tinha propósitos na vida de Jacó e as promessas feitas a Abraão não seriam anuladas.

Mais tarde, os votos foram regulamentados pela lei de Moisés, mostrando o que seria ou não aceito e como fazer (Lv.7.16; 22.21-23; 27.2-8; Num.15.3,8; 21.2). Normalmente, os israelitas prometiam o sacrifício de um animal como oferta ao Senhor. Um caso excepcional foi o de Jefté, que prometeu sacrificar o que saísse de sua casa quando ele voltasse da guerra. Saiu a filha e foi sacrificada. Foi um voto absurdo, feito numa época em que muitos absurdos aconteceram em Israel por falta de uma liderança nacional definida (Jz.11.30-39).  Quando se reconhece que o voto está errado, o melhor a se fazer é o seu cancelamento mediante oração, com o devido pedido de perdão. Será que a vitória de Jefté dependia daquele voto? Creio que não, pois Deus tinha um compromisso com a nação de Israel, independente do voto. Outros juízes foram vitoriosos sem que tenham feito qualquer promessa.

O cancelamento de voto é previsto nas Escrituras. Se uma mulher fizesse uma promessa ao Senhor e isso chegasse ao conhecimento do pai ou do marido e ele não estivesse de acordo, o voto seria declarado nulo diante de Deus (Num.30.1-14).

Um tipo especial de voto era do nazireado, no qual os pais consagravam os filhos (Jz.13.5) ou a própria pessoa se consagrava ao Senhor durante um tempo ou definitivamente (Num.6.1-21). O nazireu tinha obrigações definidas na lei de Moisés: não poderia tomar bebidas fortes, nem consumir uvas e seus derivados, nem cortar os cabelos nem tocar em cadáveres. Em "compensação", tinham uma unção sobrenatural. Esse tipo de voto era um "pacote" de obrigações pré-definidas. Nos casos de Sansão  e João Batista, o nazireado foi determinado pelo próprio Deus (Jz.13.5; Lc.1.15). Aqueles homens precisavam ser especialmente consagrados porque suas missões eram especiais.

O voto não deve ser feito como uma tentativa de troca ou negócio com Deus, mas como forma de dedicação especial, súplica em face da necessidade urgente ou demonstração de gratidão. Certamente, a intenção do coração será o mais importante, pois Deus não precisa de nada que possamos oferecer. Não devemos pensar que possamos convencê-lo a fazer ou dar-nos algo pelo fato de lhe prometermos uma oferta. Não é possível subornar Deus. Contudo, um coração contrito ou grato é o que toca o coração do Pai (Salmo 51.17). 

Alguns votos estão relacionados a bênçãos ou unções especiais. Contudo, é melhor deixar que Deus escolha a bênção, caso ela venha a acontecer, pois ele é soberano e não se obriga pelas nossas ações.  Sansão vivia sob o voto do nazireado. Contudo, sua força foi uma característica determinada por Deus e não por ele mesmo. 

Não devemos usar o voto como ferramenta da nossa própria cobiça para obter coisas materiais. O voto de Jacó envolvia coisas materiais, mas ele se encontrava em grande aperto e necessidade. Não foi para alcançar coisas supérfluas que atendessem à sua vaidade pessoal.

O jejum é um tipo de voto, desde que tenha sido iniciado com uma oração envolvendo uma promessa de abstinência durante determinado tempo.

Uma questão muito importante a ser destacada é a seriedade do voto, como está escrito:

"Quando um homem fizer voto ao Senhor, ou fizer juramento, ligando a sua alma com obrigação, não violará a sua palavra: segundo tudo o que saiu da sua boca, fará" (Num.30.2).

"Quando fizeres algum voto ao Senhor teu Deus, não tardarás em cumpri-lo; porque o Senhor teu Deus certamente o requererá de ti, e em ti haverá pecado" (Dt.23.21).

"Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos; o que votares, paga-o. Melhor é que não votes do que votares e não cumprires. Não consintas que a tua boca faça pecar a tua carne, nem digas diante do anjo que foi erro; por que razão se iraria Deus contra a tua voz, e destruiria a obra das tuas mãos? Porque, como na multidão dos sonhos há vaidades, assim também nas muitas palavras; mas tu teme a Deus." (Ec.5.4-7).

"Laço é para o homem apropriar-se do que é santo, e só refletir depois de feitos os votos" (Pv.20.25).

Não podemos fazer voto de tolo. Se é importante que um homem cumpra a sua palavra diante de outro homem, quanto mais diante de Deus? Ninguém é obrigado a fazer um voto, mas, uma vez que foi feito, deve ser cumprido, guardadas as exceções já mencionadas. O não cumprimento configura pecado de mentira contra Deus e pode trazer consequências ruins.

Devemos evitar a banalização do voto. É melhor que não seja feito. Um voto é um compromisso extraordinário com Deus. Quebrá-lo é um pecado grave, embora não seja imperdoável.

Devemos tomar cuidado com votos feitos por ordem de qualquer pessoa. Se você fizer o voto, deverá cumpri-lo. Portanto, pense bem, antes de se comprometer. Não levante a mão levianamente prometendo ofertas ou jejuns que não estão ao seu alcance. Não prometa valores que você não tem, a não ser que você diga claramente que o cumprimento está condicionado à aquisição dos recursos. Nenhum líder deve conduzir seus liderados a fazerem promessas ao Senhor. Se alguma sugestão for feita neste sentido, também devem ser anunciados os riscos e a seriedade do voto.

Ninguém deve ser obrigado a fazer votos.  Não sejamos irresponsáveis com coisas tão sérias.

Nunca use um voto como forma de compensação por um pecado. Nada substitui uma vida de obediência a Deus. Ele não quer jejum ou ofertas de ímpios ou de crentes rebeldes. 

Muitos dos textos aqui citados estão no Antigo Testamento, mas os votos aparecem também no Novo Testamento (At.18.18; 21.23). Certamente, muita coisa mudou na Nova Aliança, exceto a seriedade da nossa relação com Deus.  Hoje, não vamos prometer animais para o sacrifício nem faremos votos de nazireus. Contudo, podemos fazer promessas ao Senhor, se assim desejarmos, com responsabilidade e bom senso. Se prometemos, devemos cumprir. Afinal, não queremos também que ele cumpra suas promessas em nossas vidas?

Pr. Anísio Renato de Andrade



quinta-feira, 9 de julho de 2015

OS PREGADORES SÃO OS PROFETAS ATUAIS?




Há algumas décadas, os cristãos se dividiam entre os que criam e os que negavam a existência de profetas na igreja. Agora, temos a terceira via, afirmando que os pregadores são os profetas da atualidade. Pronto, chegou-se a um ponto de equilíbrio antibíblico.
O que a bíblia diz?
"E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres" (Ef.4.11). São "outros" e não "os mesmos".
Pastor é pastor, profeta é profeta. Uma pessoa pode até ter os dois ministérios e profetizar enquanto prega, mas isso é raro. Profetizar é dizer o que Deus falou diretamente ao profeta e não apenas repetir o que a bíblia disse. Falar o que eu quero que aconteça na vida de alguém não é profetizar. Ficar dizendo "eu profetizo isso e aquilo na sua vida" é uma ótima forma de tornar-se um falso profeta.
Profetizar é dizer o que Deus mandou que fosse dito. Não vale repetir o que o pregador diz. Precisamos é orar mais e buscar os dons espirituais que Paulo listou na primeira carta aos coríntios.
A bíblia não diz "profetizai sem cessar", mas sim "orai sem cessar". Devemos orar pelos irmãos e não ficar "profetizando isso e aquilo na vida deles". Só os profetas podem profetizar. Um texto que tem sido usado para justificar a prática é a visão do vale de ossos secos, onde o Senhor disse: "Profetiza sobre estes ossos" (Ez.37.4). Ezequiel profetizou porque Deus mandou. Se você ouve Deus diretamente, e ele te manda profetizar, vai em frente. Ezequiel profetizou, mas os israelitas não estavam autorizados a saírem profetizando uns para os outros conforme seus próprios desejos ou mesmo repetindo profecias alheias. A coisa era muito séria, porque a profecia que não se cumprisse significava pena de morte para o indivíduo.
"O profeta que tiver a presunção de falar alguma palavra em meu nome, que eu não lhe tenha mandado falar, ou o que falar em nome de outros deuses, esse profeta morrerá" (Dt.18.20).
O que acontece é que ultimamente tem sido dado um sentido diferente à palavra "profetizar", mas esse sentido não é bíblico.
Por exemplo, se perguntarem se você pode "abençoar um irmão", talvez você pensará que ele está precisando de uma ajuda financeira, não é mesmo? Este é um exemplo de como pegamos as palavras bíblicas e deturpamos o seu significado. Precisamos voltar à bíblia. Se alguém se considera profeta, profetize. Se a profecia se cumprir, é de Deus, mas profetizar simplesmente o que queremos que aconteça não é certo e não é bíblico.
Se todos puderem profetizar à vontade o que bem entenderem, quem vai cumprir essas profecias? Deus? Isso o colocaria como refém do homem. De fato, Deus só se compromete a fazer aquilo que ele mesmo falou. Aqui está o limite do propagado poder das palavras humanas.
A verdadeira profecia é sobrenatural, pode desvendar coisas ocultas que o profeta não seria capaz de descobrir, podendo também trazer previsões que vão se cumprir, a não ser, por exemplo, que o arrependimento desvie o castigo (como ocorreu no caso de Nínive). As profecias bíblicas eram quase sempre pesadas. Eram até chamadas de "peso do Senhor" (Mal.1.1). Envolviam repreensões contra o pecado, avisos de juízo e promessas de bênçãos para os arrependidos. Não é uma lista de coisas boas que uma pessoa deseja pra outra ou para si mesma. O aspecto pesado das profecias fazia com que os profetas fossem odiados geralmente. Os profetas bem quistos eram os falsos.
O mesmo vale para os atos proféticos, os quais têm mais a ver com o Antigo Testamento. Só podem ser feitos por profetas e por ordem de Deus. Se não for assim, será apenas uma simpatia (ou antipatia mesmo).

Pr. Anísio Renato de Andrade

quinta-feira, 2 de julho de 2015

A NOIVA, O SERVO, O FILHO E O SOLDADO






A bíblia nos fala de tantas maneiras diferentes, que podem parecer contraditórias. Somos a noiva de Cristo, servos de Deus, seus filhos ou soldados? Somos tudo isso. Uma visão voltada exclusivamente para uma dessas facetas pode causar distorção no entendimento e na prática cristã. Todos esses termos referem-se à realidade espiritual, mas, em primeira análise, devem ser considerados como metáforas plenamente conciliáveis no que tange às lições transmitidas. Pensando assim, não perguntaremos como Jesus pode ser, ao mesmo tempo, o pastor e a porta das ovelhas, o cordeiro de Deus e o leão de Judá (João 10.7,11; Ap.5.5).

Jesus contou muitas parábolas relacionadas ao reino de Deus, como se vê, por exemplo, nos capítulos 13 e 25 do evangelho de Mateus. Por que tantas? Não seria repetitivo?  O que ocorre é que nenhuma parábola é suficiente para expressar toda a realidade espiritual. Então, o Mestre contou diversas. Cada uma demonstra diferentes aspectos, conceitos e valores do reino. 

Em Mateus 25, Jesus começou falando sobre 10 virgens que esperavam o noivo, mas, desejando mostrar o outro lado da questão, ele falou, na sequência, sobre 3 servos que esperavam o seu senhor (Mt.25.14-30). Jesus deseja que tenhamos uma visão cada vez mais ampla sobre a sua pessoa, sobre o Pai, o reino de Deus, a segunda vinda e sobre nós mesmos, nossa posição e responsabilidades.

"Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória; porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua noiva se aprontou" (Ap.19.7).

A igreja é a noiva de Cristo. Esta figura nos lembra o amor, o compromisso, a festa de casamento e a intimidade. O noivo não é ausente ou distante. Não é uma pessoa estranha ou indiferente. Cristo se importa conosco e nos ama profundamente. O amor é a base de tudo, mas não é o fim. Existe muito mais na nossa relação com Deus.

"Mas agora, libertados do pecado, e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna" (Rm.6.22).

Na parábola dos talentos, somos representados pelos servos (Mt.25.14-30). É outra perspectiva que o cristão precisa ter acerca de si mesmo. Agora, não se fala em festa, mas em recursos, responsabilidade, trabalho e prestação de contas. Precisamos servir ao Senhor de acordo com os dons que ele nos confiou. Contudo, não podemos ter apenas essa visão, transformando a vida cristã em ativismo mecânico ou meramente profissional. Precisamos servir por amor, ainda que haja uma recompensa.

"Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus" (João 1.12).

Quando nos trata como filhos, a palavra nos lembra vínculo, natureza e herança. Contudo, não podemos nos esquecer da nossa participação no exército de Deus. Somos soldados. Isso nos lembra disciplina, treinamento, armamento, inimigos, lutas, guerras e vitórias.

"Sofre, pois, comigo, as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo" (2Tm.2.3).

A percepção parcial da identidade cristã pode criar expectativas indevidas. Como filhos, esperamos benefícios, provisão, carinho e proteção. Não está errado, mas o que faremos quando Deus permitir dificuldades em nossas vidas?  Quem não tem luta é soldado morto.

"Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse" (IPd.4.12).
 
Portanto, a vida espiritual assemelha-se muito à vida natural quanto à diversidade de papéis e situações. Queremos bênção sem compromisso? Vitória sem luta? Canaã sem deserto? Festa sem trabalho?

Devemos confiar em Deus e aceitar o que ele tem para nós, certos de que, "todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus (Rm.8.28). 

Pr. Anísio Renato de Andrade


terça-feira, 30 de junho de 2015

O DESAFIO DO CRESCIMENTO INTEGRAL






"E crescia Jesus em sabedoria, em estatura e em graça para com Deus e os homens" (Lc.2.52).

Pouco se sabe sobre a infância de Cristo, mas ficou registrado que o seu crescimento era pleno e saudável (Lc.1.80; 2.40).  O crescimento humano precisa ser físico, intelectual, social, emocional, espiritual etc. O crescimento parcial pode ser trágico. As atrofias mais evidentes são físicas e mentais. Entretanto  existem outras, como, por exemplo: Teoria sem prática; trabalho sem conhecimento; conhecimento sem caráter; riqueza sem prudência; poder sem amor; autoridade sem sabedoria ou zelo sem entendimento (Rm.10.2).  Algumas dessas combinações podem ser perigosas como aceleração sem freio. De situações assim surge o radicalismo e os abusos de toda sorte.

O problema se agrava porque alguns tipos de crescimento causam orgulho, arrogância e uma ilusória satisfação, dificultando cada vez mais o desejável equilíbrio. O resultado pode ser o fracasso ou mesmo a prática de tolices e crimes. Por isso, a bíblia apresenta requisitos para a nomeação de líderes, procurando evitar que a ascensão hierárquica seja incompatível com as condições pessoais  (ITm.3.5-6). Precisamos crescer em vários aspectos e não apenas em um.

É fácil reconhecer a importância do crescimento, mas não devemos pensar que ele aconteça naturalmente ou por acaso. Assim como o corpo precisa do alimento para crescer, o mesmo ocorre nos demais aspectos do ser humano, cuja "alimentação" envolve dedicação e investimentos de vários tipos, primeiro da família, depois do indivíduo.

Um fator muito importante neste assunto é o tempo. Os pais sempre avaliam o crescimento dos filhos em função da idade. Existe uma expectativa proporcional ao tempo. Não é razoável que alguém seja velho e imaturo, mas é possível, principalmente nas questões de fé.

Embora não possamos determinar prazos rígidos para a apresentação de certos resultados, a bíblia nos dá alguns exemplos que podem servir como parâmetros. Aos 12 anos, Jesus já estava preparado para discutir com os doutores da lei. Sua divindade não nos serve como argumento de escape, pois todo judeu deve ser exímio conhecedor da lei por volta da mesma idade. Por extensão, concluímos que as crianças e jovens cristãos têm o dever se crescerem no conhecimento da palavra de Deus e não apenas na cultura mundana que se busca com tanto afinco.

Quanto tempo será necessário para a formação de um líder? É difícil determinar, mas vejamos alguns exemplos: Daniel e seus amigos, depois da formação judaica padrão, foram preparados durante 3 anos para serem assessores do rei Nabucodonosor (Dn.1.5). No mesmo prazo, foram formados os apóstolos de Cristo. Este foi o tempo aproximado entre o "vinde" e o "ide" (Mt.4.19; Mt.28.19). Portanto, com 3 anos de conversão, é possível e desejável que o crente jovem ou adulto tenha lido toda a bíblia e esteja pronto para exercer um ministério na igreja de acordo com o dom que Deus lhe deu. Curiosamente, os israelitas eram proibidos de comerem os frutos produzidos nos 3 primeiros anos de qualquer árvore (Lv.19.23).

Além do crescimento físico, valorizamos muito o crescimento profissional e patrimonial, mas não podemos nos esquecer do crescimento espiritual.  Jesus disse: "De que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma"? (Mt.16.26).  Por isso, é importante a nossa dedicação a Deus, procurando conhecê-lo, bem como à sua palavra.

A expectativa divina em relação ao nosso crescimento espiritual pode ser percebida nas seguintes passagens bíblicas:

"E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo. Com leite vos criei, e não com carne, porque ainda não podíeis, nem tampouco ainda agora podeis, porque ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens"? (ICo.3.1-3).

"Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite, e não de sólido mantimento. Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, porque é menino" (Heb.5.12-13).

"E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulentamente.  Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo" (Ef.4.11-15).

Existe o crescimento exterior e o interior. Um se refere à forma; o outro, ao conteúdo. A construção de uma casa grande e bonita pode trazer satisfação. Contudo, se ela permanecer vazia, será inútil, ainda que tenha valor. Assim também, muitas pessoas crescem em vários aspectos. Depois, encontram-se grandes, porém vazias. Tal é a situação daqueles que crescem apenas aos olhos dos homens, mas não aos olhos de Deus. Assim é aquele que tem sucesso perante o mundo, mas é um fracasso perante sua própria consciência.

Certa vez, Jesus contou uma parábola acerca de um homem rico cuja lavoura produziu em abundância. Então, resolveu derrubar seus celeiros e construir outros maiores. Em seguida, disse à sua alma: "come, bebe e folga". Mas o Senhor lhe disse: "Louco, hoje te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será"? (Lc.12.16-21).  Aquele fazendeiro era visionário e bem sucedido, mas não cuidou do seu crescimento espiritual. Chegando o dia de partir para a eternidade, não estava preparado.

Cada um de nós precisa avaliar-se a si mesmo. Em que aspectos estamos crescendo? Em quais temos sido negligentes? O desejo de Deus é o nosso crescimento integral, mas, sobretudo, o crescimento espiritual, pois este se relaciona aos valores eternos.

Pr. Anísio Renato de Andrade

quinta-feira, 11 de junho de 2015

ISAQUE E REBECA




Uma união marcada por aspectos culturais e espirituais.

Os fatos narrados em Gênesis 24 ocorreram quando Abraão tinha 140 anos. Encontrando-se em avançada velhice, o patriarca se mostrou preocupado com o futuro do filho, Isaque, que continuava solteiro. Aos 40 anos, ele ainda era jovem, levando-se em conta a expectativa de vida naquele tempo.  Então, Abraão mandou que seu servo Eliezer se dirigisse à Mesopotâmia e buscasse uma mulher para o filho. Tal atitude estava coerente com os costumes da época, no contexto das prerrogativas patriarcais.

A PESSOA CERTA

Abraão não sabia quem seria a esposa de Isaque, mas de uma coisa ele estava convicto: não poderia ser uma mulher cananeia (Gn.24.3). Os cananeus eram descendentes de Cão (Gn.9.18), um povo idólatra e amaldiçoado. Abraão estava zelando por sua linhagem. Ele não queria que Isaque se casasse com uma mulher ímpia, mas com uma serva de Deus.  Por isso, enviou Eliezer à Mesopotâmia. Ali moravam os parentes de Abraão. Alguns deles serviam ao Senhor. Temos evidências nesse sentido em Gênesis 24.31,50. O nome do pai de Rebeca era Betuel, que significa “homem de Deus”.  Isto não seria uma casualidade, pois, naquele tempo, os nomes eram colocados levando-se em consideração seu significado. 
Isaque precisava se casar com uma serva de Deus. A união com uma mulher cananeia seria uma situação de jugo desigual. O resultado seria um lar dividido, com dificuldades na orientação dos filhos e outros problemas diversos e imprevisíveis.  Muito tempo depois, males desse tipo foram experimentados por Esaú (Gn.26.34-35; 27.46; 28.1-2.) e Judá (Gn.38.1-10).
Abraão poderia ter dito: “Isaque, escolha uma mulher cananeia. Nós vamos ‘evangelizá-la’. Ela se converterá e o seu lar será uma bênção. Vamos fazer isso pela fé, meu filho”. 
Nada disso. O patriarca não confundia imprudência com fé.  Evitar o problema é melhor do que planejar soluções.
O servo ou serva de Deus que se entrega a relacionamentos amorosos com o ímpio está se colocando em situação de alto risco, sujeitando-se a tentações e tribulações desnecessárias.
É verdade que, em casos excepcionais, algumas relações desse tipo conduzem à conversão da parte incrédula. Muitas, porém, causam o desvio do crente.  Sansão, por exemplo, teve sua vida e ministério destruídos por relacionamentos errados (Jz.14.1-2; 16.1; 16.4-18).
Quais são os critérios para a escolha de um companheiro ou companheira? Aparência física? Condição econômica? Nível cultural? Vários fatores podem ser importantes ou não, mas o principal é saber se a pessoa pretendida serve ao Senhor.
Não estamos falando de procurar a pessoa perfeita, mas de minimizar a possibilidade de se envolver com pessoas e situações que venham prejudicar ou inviabilizar a estrutura do novo lar.


O LUGAR CERTO

Eliezer procurou esposa para Isaque:
                        - Numa região específica, a Mesopotâmia.
                        - Na família certa, entre os parentes de Abraão.
                        - No lugar certo: o poço, um local de trabalho.
                        - Na hora certa, à luz do dia.

Tais elementos, ainda que não sejam normativos, ajudaram muito na definição do tipo de pessoa que seria encontrada. Se Eliezer fosse a uma festa noturna no Egito, talvez retornasse trazendo uma odalisca. É difícil encontrar uma flor perfumada dentro do esgoto. Talvez você não esteja procurando alguém, mas frequenta lugares errados para se divertir. Então poderá encontrar o que não procura, ou até mesmo ser encontrado. Situação desse tipo foi vivida por Diná, filha de Jacó, que acabou sendo vítima de um estupro (Gn.34.1-26).

AÇÃO DIVINA

Apesar das instruções de Abraão e do zelo de Eliezer, a missão poderia dar errado. É muito difícil escolher uma pessoa, pois o ser humano é passível de engano.  Por isso, Eliezer, que também era um crente, dependia totalmente de Deus.  Ele não confiava em sua própria sabedoria. O servo orou, pedindo a bênção e a orientação por meio de um sinal (Gn.24.12). O Senhor atendeu, enviando Rebeca ao lugar certo, na hora certa.
Todo aquele que procura uma companheira precisa depender de Deus, orando, crendo e esperando. 

O SINAL

Eliezer não pediu que Deus mandasse uma moça alta ou baixa, gorda ou magra, loira ou morena, de cabelos compridos ou curtos. Ele estava preocupado com atitudes que manifestassem virtudes do caráter.

“Mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor muito excede ao de jóias preciosas”. (Pv.31.10).

Esperar que alguma moça fosse tirar água do poço seria algo simples e normal naquela época.  Entretanto, Eliezer consideraria aquela que, além de lhe oferecer água, também desse de beber aos seus dez camelos.  Ele pediu algo difícil e improvável, que não aconteceria por acaso. Dessedentar todos aqueles animais seria uma tarefa árdua. Um camelo pode viajar durantes dias no deserto sem beber água, mas, quando bebe, precisa de muitos litros.
Buscar água no poço era dever das mulheres. Rebeca, porém, estava disposta a fazer muito mais do que a sua obrigação. Não ficou limitada ao mínimo necessário, mas procurou fazer o máximo que estava ao seu alcance.
O texto diz que ela serviu a água “prontamente” (Gn.24.18, 46), demonstrando qualidades desejáveis numa esposa: bondade, iniciativa, prestatividade e disposição para o trabalho (Gn.24.14). A moça realizou a tarefa até o fim, não parando diante da dificuldade ou por preguiça.

A VIRGINDADE

Além das qualidades já mencionadas, Rebeca era formosa e virgem (Gn.24.16). A virgindade demonstra que a moça soube esperar pelo tempo certo para iniciar sua vida sexual. É verdade que muitas pessoas, quando se convertem, já viveram muitas experiências sexuais fora do matrimônio.  Deus as perdoa e purifica.  Entretanto, aqueles que servem ao Senhor e ainda são virgens, sejam homens ou mulheres, têm a grande honra e dever de se preservarem para o casamento, evitando que, no futuro, tenham que lutar contra lembranças, mágoas, sentimentos de inferioridade, elementos de comparação e outras consequências negativas.

“Porque esta é a vontade de Deus, a saber, a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição” (ITss.4.3).

A virgindade perdeu o seu valor na sociedade moderna. Contudo, os valores do cristão devem ser regidos pela palavra de Deus e não pelo mundo.
Se Isaque e Rebeca tivessem relacionamentos anteriores com outras pessoas, talvez a união dos dois não viesse a ser concretizada.  Vínculos errados podem se tornar empecilhos para as uniões legítimas.

A ESCOLHA

A esposa de Isaque não foi escolhida por ele, nem por Abraão, nem por Eliezer, mas por Deus. Acabou-se o livre-arbítrio? De modo nenhum (ICo.7.39).  O texto mostra, claramente, que Rebeca teve a oportunidade de manifestar sua vontade. Se ela não quisesse, não seria forçada a se casar com Isaque (Gn.24. 7, 8, 12, 27, 50, 58).  Isaque também não seria obrigado.
Aquele que procura uma esposa, ou um marido, é livre para escolher. Entretanto, se a pessoa permitir, Deus poderá fazer a escolha.  Ele ajuda a quem pede, mas não obriga ninguém.

O ENCONTRO

Rebeca renunciou à sua família e ao convívio dos pais, viajando com Eliezer em direção a Canaã.  Ali chegando, encontrou-se com Isaque, que meditava no campo. Os dois se conheceram e se uniram em amor. Assim, Isaque foi consolado pela perda de sua mãe (Gn.24.67).  Daquela união nasceram dois filhos: Jacó e Esaú, dos quais duas nações se formaram, dando continuidade ao cumprimento da promessa de Deus a Abraão.


Pr. Anísio Renato de Andrade

segunda-feira, 8 de junho de 2015

SISTEMAS DO UNIVERSO: CRIAÇÃO OU ACASO?




A vida natural é muito complexa e maravilhosa. Tudo que conhecemos na natureza está organizado em sistemas. Todo sistema nos faz pressupor uma inteligência que lhe é subjacente, superior e anterior.  Algum sistema extraordinário e eficaz surge sozinho, sem uma inteligência que o tenha desenvolvido?

Desde o átomo até as galáxias, nota-se funcionalidade, beleza estética e organização matemática. Se o universo é regido por leis, isto não seria testemunho da existência de um legislador?

A posição do nosso planeta no sistema solar é perfeita, variando dentro de uma margem de segurança que parece ter sido calculada. Se estivesse um pouco mais longe do sol, tudo aqui seria congelado; se estivesse mais perto, tudo se queimaria. 

A existência da vida na terra depende da combinação de inúmeros fatores que vão dos átomos aos elementos mais complexos e astros distantes. A falta do sol ou da água bastaria para inviabilizar a vida. Ateus dizem que todos esses fatores foram reunidos por mera coincidência. Porém, mesmo se fosse possível reunir, por acaso, todas as condições para a vida, isso não garantiria seu surgimento. Aquário com água não cria o peixe.

Nota-se propósito nas coisas criadas. Cada elemento existe para algum outro. Os olhos existem para a luz; os pulmões, para o ar;  os ouvidos, para o som. Estas relações tão perfeitas e complexas seriam casuais ou uma coisa foi criada para a outra? Seria o som capaz de provocar o aparecimento do ouvido? E ainda que fosse possível, precisaria ainda produzir um cérebro para interpretar as ondas sonoras, sentir emoções, decidir e responder. Nenhum processo evolutivo explica a relação entre estes elementos, mas tudo se encaixa no conceito criacionista.

O acaso tende, não para um aperfeiçoamento constante, mas para o caos. Se deixarmos que as coisas ao nosso redor cuidem de si mesmas, elas ficarão melhores? Seria uma atitude contrária à inteligência. O empenho humano tem sido sempre no sentido de planejar, pois não confiamos na casualidade.

Todos os sistemas do nosso corpo são extraordinários.  Seu funcionamento é sofisticado e integrado: cada um serve de suporte aos demais. O que seria do sistema respiratório sem o nervoso? O que seria do sistema circulatório sem o digestivo? A relação entre os sistemas é muito avançada e perfeita para ser considerada acidental.

Um dos sistemas mais admiráveis é o imunológico, que cuida da defesa do organismo. Ele não parece ter sido planejado? Sua ausência colocaria tudo a perder. Além disso, ele não é estático, mas capaz de "aprender" o seu papel dinamicamente.

Outro sistema incrível é o reprodutor. O DNA contém toda a programação para o surgimento de um ser semelhante, um descendente. Seria um tipo de programação casual e auto-replicante? É preciso muita fé para acreditar nisso. É mais fácil crer no Criador.

A existência de macho e fêmea, feitos um para o outro, parece resultado de um planejamento consciente e não obra do acaso. A perpetuação das espécies parece ter sido planejada antes de começar.  E a reprodução humana não é apenas uma questão física, mas também psicológica. Poderia haver macho e fêmea e cada um viver sua vida e fim da história, mas o plano supremo inclui a atração e o amor.

O corpo humano apresenta a mais avançada tecnologia de que se tem notícia. É uma máquina que impressiona pelo design, estrutura e funcionalidade, contando com fluxo de energia, lubrificação, transmissão de comandos cerebrais, controle de temperatura, auto-locomoção, capacidade de percepção e integração ao meio-ambiente, comunicação, crescimento, reprodução e desligamento automático.  Não parece ter sido projetado e criado?

É também notável que a nossa existência siga uma programação: nascemos, crescemos, amadurecemos, reproduzimos e morremos. Em virtude do livre-arbítrio interferimos de alguma forma nesta sequência, tentando prolongar a vida ou antecipar a morte. Contudo, a programação existe. Nós não a fizemos. Logo, ela se torna mais um testemunho daquela inteligência superior, do supremo Criador.

O ser humano vai além do aspecto físico e biológico, alcançando uma dimensão moral que os animais não possuem. Inventamos a moralidade? Criamos o bem e o mal? Estas questões de ética e consciência  apontam para um ser superior, a quem chamamos Deus, possuidor original dos valores que preservam a vida.  

Estamos rodeados pelos milagres divinos. São maravilhas surpreendentes e insondáveis. Diante delas, o que é a ciência? O enorme esforço do homem para compreender pelo menos um pouco da infinita obra de Deus.


Pr. Anísio Renato de Andrade

terça-feira, 2 de junho de 2015

SANTIDADE: O PADRÃO DE DEUS PARA NÓS



Uma atitude humanista e egoísta nos leva a colocar nossa vontade acima de tudo, inclusive quando oramos. Embora muitas petições sejam aceitáveis, Jesus nos ensinou a orar assim: "Pai nosso que estás no céu... seja feita a tua vontade" (Mt.6.9-10).  Imediatamente, pode surgir uma dúvida: Qual é a vontade de Deus? O que ele quer?  Poderíamos propor tantas hipóteses, mas vejamos o que Paulo escreveu:

"Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação, que vos abstenhais da prostituição." (ITss.4.3). A santificação é um conceito amplo, do qual a abstinência é um exemplo prático.

Será que o propósito do evangelho é apenas nos abençoar? Seu efeito seria apenas o suprimento das nossas necessidades? Além das bênçãos, a obra de Cristo inclui a santificação, isto é, um processo rumo à santidade, de modo que sejamos cada vez mais parecidos com Jesus.  Ser "abençoado"  está, geralmente, ligado à ideia de receber.  Ser "santificado" relaciona-se mais à renúncia e aparente perda em prol de um ganho maior.

A tradição religiosa distorceu o conceito da palavra "santo", usando-a para designar alguns cristãos "mortos, porém poderosos", mas a bíblia refere-se a todos os salvos como santos (At.9.13; Rm.1,7; Ef.1.1 etc).

A santificação é um processo que começa na conversão. Deus nos resgata como faz o pai que retira o filho da lama, sendo este o primeiro ato de uma série. Em seguida, vem o banho e a troca de roupas. Assim também, depois de sermos retirados do reino das trevas, precisamos de uma transformação, que é parte do que chamamos "crescimento espiritual". Depois da "metanoia" (mudança de mente), vem a "metamorfose" (transformação prática). Não somos apenas transportados para a luz, mas precisamos brilhar como luzeiros no mundo (Fp.2.15), através de um caráter e modo de vida que sejam motivo de glória para o nome do Senhor.

O significado do termo "santificação" tem dois aspectos:  "separação" e "dedicação";  é separar-se "de" alguma coisa e "para" alguém ou algum propósito. 

Uma boa figura bíblica para o tema encontra-se na história de Israel. O propósito de Deus para o seu povo não era apenas libertá-lo do Egito, mas transformá-lo em nação santa (Ex.19.6). Portanto, deu-lhes a lei para santificá-los.  Alguns mandamentos visavam evitar o pecado (separação). Outros, indicavam o que os israelitas deviam fazer (dedicação). São os aspectos "negativos" e "positivos" da santificação, que podem ser resumidos nas palavras do profeta: "Deixai de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem" (Is.1.16-17).

O cristão não deve ser conhecido apenas por aquilo que parou de fazer, mas pelo que faz para Deus e em favor do próximo.

A santificação começa na conversão, mas precisa ser desenvolvida. "Aquele que é santo, santifique-se ainda" (Ap.22.11). Existem níveis de santificação.  Por exemplo, a lei dada a Israel tinha o objetivo de santificar o povo. Entretanto, os sacerdotes deveriam seguir mandamentos ainda mais rigorosos para que pudessem estar "mais próximos" de Deus (Lv.21).  Outro tipo de santificação era a dos nazireus, que se consagravam de modo especial, abstendo-se até de algumas coisas que eram permitidas ao povo e aos sacerdotes (Nm.6.1-21).

Quanto mais nos santificarmos, separando-nos das contaminações do pecado e nos dedicando ao Senhor, mais próximos estaremos dele, não em sentido geográfico, pois Deus está em todos os lugares, mas em termos de intimidade. Quanto mais sujos, mais distantes.  O sumo sacerdote deveria seguir regras rigorosas de pureza para entrar no Santo dos Santos, o local de maior intimidade com Deus no tabernáculo e no templo.

Havia um caminho e um procedimento que conduzia ao Santo dos Santos.  O sumo sacerdote precisava entrar pela porta do pátio, fazer o sacrifício para perdão dos seus pecados, lavar as mãos e, com o sangue no recipiente, adentrar nos recintos mais sagrados da casa do Senhor. Mas tudo isso não seria suficiente, se o ministro não demonstrasse um modo de vida coerente com a dignidade do seu ministério. Um comportamento contraditório poderia desqualificá-lo.

Os nazireus, rigorosamente santificados, como Samuel, Sansão e João Batista, tiveram gloriosas experiências com Deus, recebendo poder, revelações e missões especiais. Sansão, porém, depois de maravilhosas vitórias, conduziu sua vida no sentido contrário à santificação, tornando-se exemplo de fracasso pessoal, familiar e ministerial.

A santificação é, ao mesmo tempo, afastamento do pecado e aproximação de Deus. É evitar o pecado e tomar atitudes de consagração ao Senhor. A santificação iniciada pelo Senhor Jesus em nós é um processo contrário à contaminação iniciada por Adão.

Como ocorre a santificação? Ela começa pela ação do sangue de Jesus em nós, perdoando os nossos pecados, e prossegue pela ação da palavra de Deus, cujo símbolo é a água, vivificada pelo Espírito Santo, mudando nossa mentalidade e comportamento.

"E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão" (Heb.9.22).

"E três são os que testificam na terra: o Espírito, e a água e o sangue..." (IJo.5.8).

"Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra" (Ef.5.26).

"Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado" (João 15.3). 

"Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo..." (IPd.1.2).

Os filhos são orientados no sentido de lavarem as mãos antes de receberem o alimento. Assim também, muitas coisas só nos serão dadas pelo Pai celestial na medida em que nos santificarmos.  Não nos referimos a coisas materiais, pois estas até os ímpios têm, mas bênçãos espirituais que o dinheiro não pode comprar.

"Santificai-vos, porque amanhã o Senhor fará maravilhas no meio de vós” (Js.3:5).

A santificação deve ser nossa prioridade, pois ela é também uma condição para que entremos no santuário celestial e vivamos eternamente na presença de Deus.

"Não toqueis nada imundo, e eu vos receberei" (2Co.6.17).

"Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor" (Heb.12.14).

Pr. Anísio Renato de Andrade