sexta-feira, 19 de novembro de 2021

DOCES PALAVRAS




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DOCES PALAVRAS

As palavras podem ser doces ou amargas. Pensando objetivamente, podemos questionar: estamos falando de audição ou paladar? De fato, trata-se de uma mistura intencional de sentidos que, na gramática, recebe o nome de sinestesia. A bíblia também usa essa figura de linguagem, conforme está escrito:

“Porventura o ouvido não prova as palavras, como o paladar prova o alimento”? (Jó 12.11).
Assim, o recurso é aplicado em diversos versículos:
“As palavras suaves são favos de mel, doces para a alma, e saúde para os ossos” (Pv.16.24).
“Faze-me ouvir a tua voz, porque a tua voz é doce, e a tua face graciosa” (Ct.2.14).
"O seu falar é muitíssimo doce; sim, ele é totalmente desejável" (Ct.5.16).
Palavras doces têm o objetivo de agradar e podem ser produzidas pelo amor. Entretanto, podem também servir a propósitos escusos como a fofoca:
“As palavras do mexeriqueiro são como doces bocados; elas descem ao íntimo do ventre” Pv.18.8 .
Tais palavras podem ainda ser usadas como armas de conquista e sedução em situações de engano para se obter vantagem indevida e conduzir ao pecado:
“Porque os lábios da mulher estranha destilam favos de mel, e o seu paladar é mais suave do que o azeite, mas o seu fim é amargoso como o absinto, agudo como a espada de dois gumes. Os seus pés descem para a morte; os seus passos estão impregnados do inferno” (Pv.5.3-5).
“Assim, o seduziu com palavras muito suaves e o persuadiu com as lisonjas dos seus lábios. E ele logo a segue, como o boi que vai para o matadouro, e como vai o insensato para o castigo das prisões; Até que a flecha lhe atravesse o fígado; ou como a ave que se apressa para o laço, e não sabe que está armado contra a sua vida” (Pv.7.21-23).
Depois das palavras doces pode vir a amargura da alma.
Não se deixe iludir com palavras bonitas, elogios, promessas ou declarações de amor. Tudo isso pode ser verdadeiro e bom, mas precisamos ver além das palavras, procurando perceber as intenções, interesses e ações. Para tanto, devemos permitir a prova do tempo, não tomando decisões precipitadas nem realizando entregas impensadas.
Noutro contexto, a bíblia diz que a palavra de Deus também é doce, mas nela não existe engano nem maldade.
“Oh quão doces são as tuas palavras ao meu paladar, mais doces do que o mel à minha boca” (Salmos 119.103).
O verdadeiro filho de Deus tem prazer em ler, ouvir e conhecer a palavra do Pai.
Todavia, a bíblia não esconde que essa palavra pode ser doce ao paladar, mas amarga ao ventre:
“Então abri a minha boca, e ele me deu a comer o livro. E disse-me: Filho do homem, dá de comer ao teu ventre, e enche as tuas entranhas deste livro que eu te dou. Então o comi, e era na minha boca doce como o mel” (Ez.3.2-3).
“E tomei o livrinho da mão do anjo, e comi-o; e na minha boca era doce como mel; e, havendo-o comido, o meu ventre ficou amargo” (Ap.10.10).
Devemos nos alimentar da palavra de Deus, sabendo que a sua prática não será tão fácil quanto recebê-la. Entretanto, sabemos que valerá a pena. Seus ensinamentos nos livrarão das palavras enganosas e nos conduzirão ao reino dos céus, onde nunca mais haverá amarguras.
Pr. Anísio Renato de Andrade

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

O CRISTÃO E A PENA DE MORTE




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O CRISTÃO E A PENA DE MORTE

Nos últimos dias, o debate político no Brasil parecia polarizado entre o “discurso de ódio” e a “mensagem do amor”. Dizer que os rótulos são superficiais é reafirmar o óbvio. Nem tudo se resume a uma visão dialética de amor e ódio. Onde fica a justiça?
Alguns pregam o amor com sinceridade, mas há quem use o argumento apenas como desculpa para se perpetuar no poder, defender criminosos e continuar explorando a população.
Se pudéssemos voltar ao passado e presenciar o duelo entre Davi e Golias, o pacifismo extremo poderia nos levar a defender o gigante que, se pudesse, mataria o pequeno pastor sem o menor constrangimento.
Recentemente, muitos se manifestaram, até em nome de Jesus, defendendo uma pretensa visão cristã que tudo aceita e tudo perdoa, mas precisamos examinar as Escrituras, para ver se as coisas são realmente assim.
Embora não vivamos sob a lei de Moisés, “toda a Escritura é divinamente inspirada e útil para ensinar”... (2Tm.3.16). Portanto, não podemos descartá-la, mas precisamos aprender com ela e procurar compreendê-la na medida do possível.
Muitos já questionaram a coexistência entre o mandamento “não matarás” (Ex.20) e as ordens que Deus deu para exterminar algumas pessoas e povos. Como se pode conciliar tudo isso? Até onde podemos compreender, temos aqui o confronto de duas realidades. Uma coisa é a proibição do homicídio, outra é a pena de morte. Tal ambiguidade encontra-se ainda hoje na legislação de alguns países, como os Estados Unidos da América, sem que se veja nisso qualquer paradoxo.
Então, podemos sair matando por aí? De modo nenhum. A proibição do homicídio é para o indivíduo, enquanto a pena de morte é prerrogativa do Estado. Não podemos misturar estas coisas, como ocorreu no embate político recente.
Embora a lei de Israel estabelecesse a pena de morte para diversos crimes, a pena para o homicida é anterior a Moisés, tendo sido determinada pelo próprio Deus, logo após o dilúvio.
Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado; porque Deus fez o homem conforme a sua imagem” (Gn.9.6).
Mesmo no Novo Testamento, a validade da execução permanece, conforme as palavras de Cristo e do apóstolo Paulo:
Então Jesus disse-lhe: Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão” (Mt.26.52).
Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a autoridade? Faze o bem, e terás louvor dela. Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz em vão a espada; porque é ministro de Deus, e vingador para castigar o que faz o mal” (Rm.13.3-4).
O fato de Jesus ter poupado a mulher adúltera não anula a possibilidade da pena de morte para os homicidas, conforme já demonstrado.

O ENSINAMENTO DE CRISTO

Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; soltai, e soltar-vos-ão” (Lc.6.37).

A quem Jesus disse estas coisas? Aos seus discípulos e não a qualquer pessoa, conforme lemos em Lucas 6.20. Certamente, estas palavras são extensivas a todos os cristãos em todas as épocas, mas NÃO PODEM SER APLICADAS COMO POLÍTICA DE ESTADO. Os magistrados não podem deixar de julgar e condenar os culpados nem passar a soltar todos os presidiários. Isto tornaria inviável qualquer sociedade.
O indivíduo deve ter o amor como base do seu relacionamento com o próximo, mas o Estado precisa exercer a justiça. Onde o amor predominar, a justiça deixará de ser dura, não por mudança na lei, mas pela ausência de necessidade. Se o amor entre os indivíduos evitar os homicídios, o Estado não precisará executar a pena de morte, caso esteja prevista em lei. Logo, o amor cristão pode transformar comunidades de baixo para cima e não de cima para baixo. A legislação não deve ser feita com amor nem com ódio, mas com justiça.

O PAPEL DA IGREJA

Igreja não é tribunal. Seu papel é pregar o evangelho, demonstrar o amor e dar oportunidade a todos. Não somos o Estado.
Jesus perdoou e salvou um dos ladrões que foram crucificados com ele, porém, não impediu sua morte. A salvação da alma não preserva necessariamente o corpo.
É verdade que a pena de morte pode dar lugar a eventuais injustiças, pois o sistema judiciário é falível, mas não podemos negar que, aqueles países que a adotam têm o direito de fazê-lo, inclusive com respaldo bíblico.

Pr. Anísio Renato de Andrade

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

PALAVRAS, APARÊNCIA E CARÁTER




Ora, a serpente era mais astuta que todos os animais do campo que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?
E disse a mulher a serpente: Do fruto das árvores do jardim comeremos, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis para que não morrais.
Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal.
E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela.
Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais” (Gn.3.1-7).
Embora sejamos livres para fazermos as escolhas que determinarão o rumo das nossas vidas, também somos alvos de influências diversas, que podem nos desviar e fazer errar. Aqueles que querem interferir nas nossas decisões têm grande chance de sucesso quando falam o que queremos ouvir, o que corresponde aos nossos desejos e necessidades, os quais se tornam terreno fértil para o engano.
Se alguém nos oferece exatamente o que desejamos, a probabilidade de aceitarmos é grande, principalmente quando avaliamos a mensagem sem examinar a fonte. Palavras certas podem esconder propósitos errados. Palavras boas podem disfarçar desejos maus.
Até Satanás é capaz de prometer coisas boas, falar algumas verdades e proferir lindos discursos. Todo cuidado é pouco. Contudo, a sabedoria evita o engano.
O inimigo disse: “Seus olhos serão abertos”, e foram mesmo. Era verdade, mas ele não falou o que esses olhos veriam nem quantas lágrimas derramariam.
Além das palavras, a imagem se apresenta como grande força silenciosa. Por esta causa, o marketing, usado para o bem ou para o mal, depende, quase sempre, do design com suas formas artísticas e cores vibrantes. Até no mundo animal, muitos predadores possuem beleza que atrai e seduz. É o caso de algumas serpentes, com suas peles coloridas. Deus as criou assim, mas ele também nos deu inteligência para não sermos vítimas desses animais. Afinal, não somos ratos.
Não podemos nos deixar levar por palavras e aparências. Precisamos examinar o caráter. Isto pode exigir tempo. Portanto, decisões rápidas representam maior risco. Refletir alguns dias pode significar a diferença entre o céu e o inferno.
Não confie cegamente em vendedores, marketeiros, políticos, líderes religiosos ou pretendentes de todo tipo. Entre eles existem representantes de Deus, emissários de Satanás ou simplesmente pessoas comuns. A generalização de qualquer tipo é um erro que deve ser evitado. É preciso ver além das promessas e da imagem, para se detectar a essência, o caráter e o propósito. A história e o comportamento são boas fontes de informação nesse sentido, embora nem sempre acessíveis.
Por que alguém deveria confiar em Noé? Seu propósito era salvar vidas e não explorá-las.
Por que os israelitas deveriam confiar em Moisés e não em Faraó? Moisés era hebreu. Faraó era egípcio. Um queria libertar o povo; o outro queria mantê-los escravizados, embora pudesse oferecer-lhes tantas coisas boas.
Voltando ao jardim… Depois de ouvir a mensagem promissora e agradável, Eva deveria ter parado para refletir sobre o caráter do mensageiro: “A serpente, sagaz, astuta e venenosa”. Não sabemos se a mulher tinha todo esse conhecimento, mas ela conhecia a palavra de Deus, e isto seria suficiente. Nunca saberemos tudo, mas se obedecermos a palavra de Deus, estaremos seguros.
Pr. Anísio Renato de Andrade

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

A INTERVENÇÃO NECESSÁRIA




Em situações normais, não gostamos de interferências. Queremos ser independentes e há quem diga, com alguma grosseria, que cada um deve cuidar apenas da sua própria vida. Entretanto, em caso de aperto e desespero, as intervenções são muito bem-vindas. Quando a situação é grave, pedimos socorro à polícia, aos bombeiros, aos vizinhos ou a qualquer pessoa, mesmo que seja estranha. Se alguém é refém de criminosos, qualquer auxílio é valioso e uma equipe de resgate é recebida com grande alegria. As cirurgias também são exemplos de intervenções, temidas e evitadas, mas desejáveis quando imprescindíveis.
A bíblia nos traz diversos exemplos de situações extremas, nas quais uma intervenção se fazia necessária:
- Por ocasião da destruição de Sodoma, dois anjos foram enviados para libertar Ló e a sua família.
- Quando Daniel estava na cova dos leões, Deus enviou um anjo para protegê-lo.
- Quando a escravidão dos israelitas no Egito tornou-se insuportável, eles clamaram a Deus, que enviou Moisés para livrá-los.
- O livro de Juízes nos mostra diversas situações de aperto na história de Israel, quando o povo clamou ao Senhor e ele interveio através dos seus servos: Otniel, Eúde, Sangar, Débora, Gideão, Tola, Jair, Jefté, Ebsã, Elom, Abdom e Sansão.
- A maior intervenção divina na história da humanidade foi a vinda de Jesus Cristo ao mundo para morrer em nosso lugar e perdoar os nossos pecados. Durante o seu ministério, ele fez inúmeros milagres, que também são intervenções na ordem natural das coisas.
Algumas interferências celestiais ocorrem apenas pela vontade de Deus e no tempo determinado por ele, mas, em muitos casos, dependem do clamor humano. Este é um dos fatores que tornam a oração tão importante, necessária e, quiçá, urgente.
Mas precisamos ver a quem estamos clamando. Muitos clamam aos líderes, aos deuses e ídolos, mas devemos orar ao Senhor. Os israelitas erraram algumas vezes, ao pedirem ajuda a outras nações, cuja interferência trouxe novos problemas (2Cr.28.16; Is.31.1-3). Em algumas situações, sobretudo de ordem espiritual, o socorro humano é vão (Sal.60.11). Certo episódio da história de Israel ilustra bem este conceito:
E sucedeu, depois disto, que Ben-Hadade, rei da Síria, ajuntou todo o seu exército; e subiu e cercou a Samaria. E houve grande fome em Samaria, porque eis que a cercaram, até que se vendeu uma cabeça de um jumento por oitenta peças de prata, e a quarta parte de um cabo de esterco de pombas por cinco peças de prata. E sucedeu que, passando o rei pelo muro, uma mulher lhe bradou, dizendo: Acode-me, ó rei, meu senhor. E ele lhe disse: Se o Senhor te não acode, donde te acudirei eu? Da eira ou do lagar”? (2Rs.6.24-27). Em seguida, ocorreu a intervenção divina, os inimigos foram vencidos e houve grande fartura na cidade.
Todavia, o clamor requer humildade. O arrogante é incapaz de pedir ou suplicar, pois a sua soberba não lhe permite. É necessário o reconhecimento da necessidade e da fraqueza, mas os orgulhosos não clamam, senão em situações extremas. Por isso, Deus permite que elas ocorram.
É interessante a experiência de Josafá que, embora fosse rei de Judá, não se julgou tão grande que dispensasse o auxílio divino. Diante das ameaças dos inimigos, clamou ao Senhor e recebeu grande livramento:
E, quando começaram a cantar e a dar louvores, o Senhor pôs emboscadas contra os filhos de Amom e de Moabe e os das montanhas de Seir, que vieram contra Judá, e foram desbaratados” (2Cr.20.22).
Em alguns casos, Deus não intervém, pois a sua ajuda significaria a interrupção de um processo necessário como foi, por exemplo, a crucificação de Jesus. Eu sempre ajudo o meu filho, mas não posso interferir quando ele está fazendo as provas escolares.
Contudo, devemos sempre orar, seja por questões pessoais ou coletivas, lembrando a palavra do Senhor, que diz:
E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra” (2Cr.7.14).
Pr. Anísio Renato de Andrade

terça-feira, 2 de maio de 2017

A VERDADEIRA ALEGRIA




“Celebrai com júbilo ao Senhor, todas as terras. Servi ao Senhor com alegria” (Salmo 100.1-2).


A alegria é o brilho da vida, um prazer simples que indica satisfação e contentamento. Precisamos de muitas coisas neste mundo, mas, sem alegria, tudo perde a graça e o sentido. Podemos ter dinheiro, casas, carros, participar de banquetes ou fazer a viagem dos sonhos, mas, sem alegria, nada tem valor. Ela funciona como um termômetro, um fator de avaliação das nossas decisões, conquistas e realizações."Porquanto Deus lhe responde na alegria do seu coração" (Ec.5.20).
A alegria não existe por si só, mas, de modo semelhante ao calor, ela precisa de causa, motivo, razão, uma fonte enfim.
Como
escreveu o salmista: “Grandes coisas fez o Senhor por nós. Por isso estamos alegres” (Salmo 126.3).
Aquilo que nos alegra, revela o nosso caráter. Dav
i disse “Alegrei-me quando me disseram: vamos à casa do Senhor” (Salmo 122.1). Há, porém, os que se alegram com a injustiça e com a desgraça alheia (Jó 31.29-30).
O calor pode ser obtido por meio de um palito de fósforo ou pela luz do sol. Diferente, porém, será sua intensidade e duração. Assim é a alegria, passageira ou perene, que obtemos de coisas efêmeras ou por causas mais significativas e duradouras. Precisamos ter em mente esta diferença para não confundirmos diversão com felicidade.
Como é fácil causar alegria instantânea! Uma simples bola na rede leva o torcedor ao delírio, mas se
um gol é feito contra o seu time, acabou a festa. A chegada de uma pessoa querida, um presente, uma boa notícia ou um prato de comida são motivos para uma alegria momentânea.
“A ansiedade do coração do homem o abate, mas uma boa palavra o alegra” (Pv.12.25). 
Os bons momentos são importantes, mas existe uma fonte de alegria espiritual. Podemos estar alegres por bons motivos, mas existem razões superiores, como vemos na palavra de Deus:
“E depois disto designou o Senhor ainda outros setenta, e mandou-os adiante da sua face, de dois em dois, a todas as cidades e lugares aonde ele havia de ir...
E voltaram os setenta com alegria, dizendo: Senhor, pelo teu nome, até os demônios se
submetem a nós.
E
Jesus lhes disse: Eu via Satanás, como raio, cair do céu… Mas não vos alegreis porque se vos sujeitam os espíritos; alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus.
Naquela mesma hora se alegrou Jesus no Espírito Santo, e disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos...” (Lc.10.1,17-21).
O texto de Lucas nos mostra
dois motivos específicos de alegria e a fonte definitiva: O Espírito Santo.
Na instituição d
o Pentecoste, já temos a figura desta realidade:
“E, na tua festa, alegrar-te-ás, tu, e teu filho, e tua filha, e o teu servo, e a tua serva, e o levita, e o estrangeiro, e o órfão, e a viúva, que estão dentro das tuas portas” (Dt.16.14).
A menção aos órfãos e viúvas se reveste de especial importância como referência a pessoas que perderam seus entes queridos. As perdas fazem parte da vida e o luto é normal e necessário. Não podemos negar ou ignorar o sofrimento que envolve tais situações. Contudo, a tristeza e o lamento não podem ser eternos. A festa de Pentecoste seria, portanto, um tempo de superação e consolo na presença do Senhor.
Muitas vezes nos alegramos com as bênçãos que recebemos, mas o próprio Deus é o motivo suficiente para nos alegrarmos:
“Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; Todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação. O Senhor Deus é a minha força, e fará os meus pés como os das corças, e me fará andar sobre as minhas alturas” (Hab.3.17-19).
A presença do Espírito Santo em nós é a fonte da verdadeira alegria:
“Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm.14.17).
O texto relaciona três elementos: justiça, paz e alegria, sendo esta o resultado final.
Tendo sido justificados pela fé, temos paz com Deus (Rm.5.1). Se temos paz, temos uma alegria que não depende de circunstâncias. Esse brilho do Espírito Santo em nossa face pode, eventualmente, ser ofuscado por momentos de tristeza, mas não ficaremos desanimados nem desesperados.
 “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Salmo 30.5).
Na pessoa de Jesus, os discípulos conheceram a verdadeira alegria. Porém, foram avisados acerca da tristeza que se aproximava:
“Na verdade, na verdade vos digo que vós chorareis e vos lamentareis, e o mundo se alegrará, e vós estareis tristes, mas a vossa tristeza se converterá em alegria. A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza, porque é chegada a sua hora; mas, depois de ter dado à luz a criança, já não se lembra da aflição, pelo prazer de haver nascido um homem no mundo.
Assim também vós agora, na verdade, tendes tristeza; mas outra vez vos verei, e o vosso coração se alegrará, e ninguém poderá tirar a vossa alegria” (João 16.20-22).
A cruz seria motivo de tristeza, mas a ressurreição traria alegria eterna. O mundo tem uma alegria passageira, mas os filhos de Deus serão, não apenas alegres, mas eternamente felizes.
Pr. Anísio Renato de Andrade


terça-feira, 11 de abril de 2017

O ESPELHO




Geralmente, olhamos em todas as direções, exceto para nós mesmos. Vemos facilmente os defeitos alheios e temos ótimas ideias para corrigi-los, mas Jesus disse: “Por que reparas no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho”? (Mt.7.3).
Em outras palavras: “Tu vês o cisco no olho do outro, mas não vês a viga que está no teu”.
De fato, examinar os próprios olhos é tarefa difícil. Seria impossível, se não houvesse espelhos.
Na visão de Tiago, o espelho é a Palavra de Deus:
Porque, se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla ao espelho o seu rosto natural; Porque se contempla a si mesmo, e vai-se, e logo se esquece de como era” (Tg.1.23-24).
Quem se olha no espelho deve se limpar e se pentear imediatamente, corrigindo o que for preciso. A palavra de Deus nos mostra quem somos e como estamos. Sua prática é a correção.
Como purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a tua Palavra” (Salmo 119.9).
Jesus não disse que os erros são incorrigíveis e que tudo está perdido. Podemos melhorar, com a ajuda de Deus. Depois, vamos ajudar o irmão. A bíblia não nos ensina a “deixar pra lá” o pecado alheio. Jesus continuou, dizendo:
Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão” (Mt.7.5).
Pode ser, porém, que, ao voltarmos para ajudá-lo, constatemos que não havia cisco algum. 
Tudo foi apenas uma ilusão de ótica.


Pr. Anísio Renato de Andrade

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Três tempos na vida de Ester






Depois do cativeiro, muitos judeus continuaram morando fora de Canaã. Entre os que ficaram na Pérsia, havia uma mulher chamada Ester, cuja história encontramos no livro bíblico que leva o seu nome.
A aceitação daquele relato entre os livros sagrados enfrentou grande resistência pelo fato de não encontrarmos ali nenhuma menção ao nome de Deus. Contudo, sua providência é notória no decorrer da narrativa. Em muitos momentos das nossas vidas, também podemos ser levados a perguntar “onde está Deus”? Entretanto, estejamos certos de que ele está sempre presente e nada escapa à sua soberania.
A história de Ester pode ser dividida em três períodos distintos:
No primeiro, temos a vida difícil de uma menina pobre chamada Hadassa (este era o seu nome hebraico, cujo significado é “murta”, uma espécie de planta). Ela era órfã de estrangeiros, criada pelo tio Mardoqueu, parte de um povo discriminado e perseguido (Et.2.5-7).
No segundo momento, Hadassa tornou-se uma linda moça que, depois de participar de um concurso promovido pelo rei Assuero, veio a ser rainha da Pérsia. Certamente, foi uma mudança espetacular em sua vida. Seu nome foi mudado para Ester, que significa “estrela”. Todas as suas dificuldades pessoais foram superadas. Agora, ela poderia possuir tudo o que desejasse, comer as melhores comidas, vestir as melhores roupas e frequentar os melhores lugares. Aliás, sua casa era esse lugar: o palácio (Et.2.16-17).
No terceiro tempo, Ester se coloca como intercessora do seu povo, contribuindo de modo decisivo para o livramento de milhares de judeus que estavam condenados à morte (Et.7.1-6).
Em outras palavras, podemos dizer que Ester passou por três níveis distintos em sua vida, como pode ocorrer também conosco, guardadas as proporções e diferenças específicas a cada caso.
O nível 1 é da tribulação, das privações e prováveis questionamentos. É o tempo dos “por quês”. Por que eu sou assim? Por que minha família é assim? Por que Deus permitiu a morte dos meus pais? Seja qual for a situação e mesmo sem respostas às suas perguntas, continue fiel a Deus.
O nível 2, caracterizado por vitórias de ordem natural, parece a glória, e corremos o risco de ficarmos muito satisfeitos, pensando que isto seja tudo o que Deus tem para nós. Em termos materiais, é o tempo das realizações e suprimento das necessidades. Para alguns, pode significar a conquista do emprego, da empresa, da casa própria e do carro novo. São experiências de superação, mas não se trata da essência dos propósitos divinos, pois os ímpios também podem alcançar este patamar. O nível 2 é o fim da miséria e da humilhação, mas traz novos desafios e tentações. Êxito, prosperidade e eventual riqueza trazem novos riscos. Ester começou a presenciar as tramas políticas ligadas ao poder.
O nível 3 significa assumir grande risco, deixar o egoísmo e sair da zona de conforto para lutar a favor do próximo. Ester era crente, cria no verdadeiro Deus, era uma pessoa abençoada, mas o Senhor tinha muito mais para a sua vida.
Entre um nível e outro existem barreiras e dificuldades (embora a vida não seja um game). Para passar da primeira fase para a segunda, Ester precisou enfrentar um concurso público, concorrendo com muitas candidatas. Certamente, Deus a abençoou e lhe deu a vitória, mas isso não seria suficiente para termos sua história na bíblia.
Do segundo para o terceiro nível, o desafio seria enorme. Mardoqueu levou ao conhecimento de Ester que havia uma sentença de morte sobre o povo judeu. Sabendo de tal ameaça, a rainha não ficou indiferente, mas tomou uma atitude. Mesmo sendo esposa do rei, Ester não tinha poder para livrar o seu povo. Ela precisava falar com o rei, mas não poderia entrar em sua presença, a não ser que fosse chamada. Se esperasse, poderia ser tarde demais. Se entrasse na sala do trono sem ser convocada, poderia ser condenada à morte. Então, Ester entrou em luta espiritual, com oração e jejum. Antes de falar ao rei, Ester falou com Deus, conforme a instrução enviada a Mardoqueu:
Vai, ajunta a todos os judeus que se acharem em Susã, e jejuai por mim, e não comais nem bebais por três dias, nem de dia nem de noite, e eu e as minhas servas também assim jejuaremos. E assim irei ter com o rei, ainda que não seja segundo a lei; e se perecer, pereci” (Et.4.16).
Conforme lemos na sequência do seu livro, Ester entrou na presença do rei (Et.5.1), iniciando uma série de atos que levaram, não só à salvação do seu povo, mas também à execução do inimigo de Israel: Hamã.
Antes de agir no âmbito natural, Ester atuou no mundo espiritual. Sem isso, sua ousadia seria estupidez. Ester não ficou acomodada ao luxo e conforto do palácio, mas colocou sua vida em risco para salvar milhares de pessoas. Entretanto, sua ação foi precedida por jejum e oração, mostrando que para alcançarmos um nível superior e espiritualmente significativo em nossas vidas, precisamos tomar atitudes importantes que envolvam uma busca intensa pela face do Senhor.
Assim, a trajetória de Ester não foi apenas de superação pessoal, mas de grande relevância para o seu povo, salvando milhares de judeus e tornando-se figura de destaque na história de Israel.

Pr. Anísio Renato de Andrade