terça-feira, 17 de maio de 2016

O SEMEADOR, A SEMENTE E O SOLO




Disse Jesus: "O semeador saiu a semear" (Mateus 13.3). Não se espera que ele semeie dentro de casa. É preciso deixar a zona de conforto para fazer o trabalho. O comodismo impede grandes realizações.
Em primeiro lugar, a parábola refere-se ao próprio Jesus, que deixou a sua glória e veio à terra trazer as boas novas de salvação. Os primeiros versículos do mesmo capítulo dizem que ele saiu de casa naquele dia e começou a pregar.
A parábola ainda nos diz que uma parte da semente caiu à beira do caminho e foi comida pelas aves; outra caiu entre as pedras e brotou, mas a planta foi queimada pelo sol; outra parte caiu entre os espinhos, que a sufocaram, mas algumas sementes caíram em boa terra e produziram com abundância.
Será que o semeador não conhecia o terreno? Sim, ele conhecia. Jesus não estaria falando de um profissional desqualificado, distraído ou irresponsável. Nós, na qualidade de pregadores do evangelho, podemos não conhecer os nossos ouvintes, mas Jesus é o semeador que conhece bem o solo do coração humano. Se ele podia lançar todas as suas sementes em boa terra, por que não o fez? Para dar oportunidade a todos. Por isso ele disse: "Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura" (Mc.16.15).
Se a semente não brotou, se os resultados não vieram, ninguém pode culpar o semeador ou a semente. O semeador é bom. A palavra de Deus é a boa semente, mas que tipo de solo nós somos? Cada um deve examinar a si mesmo e não transferir a culpa para outra pessoa. O erro de muitos é esperar um fruto que não corresponde à natureza da semente. É o caso de quem tem uma visão materialista do evangelho.
O solo pedregoso se caracteriza pela superficialidade. A semente não penetra. É o coração duro, apesar da aparente receptividade.
O solo espinhoso já está ocupado por uma planta. Jesus disse que os espinhos representam os cuidados desta vida e sedução das riquezas. Não existe espaço para a divina semente.
O solo à beira do caminho representa aqueles que não entendem a mensagem e isto se torna oportunidade para a ação de Satanás (Mt.13.19).
Naturalmente, todos se consideram boa terra. Difícil é alguém reconhecer suas pedras, espinhos ou falta de compreensão.
Diante desses fatos, surge a incômoda pergunta O solo pode mudar? Se isto não fosse possível, estaríamos anulando a esperança que o evangelho anuncia.
Se na agricultura humana existem tratamentos para melhorar o solo, certamente o agricultor celestial, que é também nosso Pai, tem seus meios para nos transformar (João 15.1), mas o tratamento pode ser árduo e significar perdas. Permitir que Deus arranque pedras e espinhos é a difícil decisão de quem deseja ser uma boa terra. Este processo envolve a disposição para ouvir a repreensão e abrir mão de coisas, relacionamentos e hábitos condenados pelas Escrituras. Muitos rejeitarão tamanha intervenção em suas vidas. Foi o caso do jovem rico que precisava renunciar à sua riqueza para seguir o Mestre. Aquele episódio mostrou que a mudança do solo é possível, porém difícil.
Aos que aceitarem o tratamento e a boa semente o Senhor garante uma grande colheita.
Pr. Anísio Renato de Andrade

sábado, 16 de janeiro de 2016

NOMES E IDENTIDADES



Depois de criar cada coisa, a primeira iniciativa de Deus foi dar-lhes um nome. À luz, Deus chamou dia e às trevas, noite. Ao firmamento, Deus chamou céu; à porção seca, terra e às águas, mares (Gn.1.5-10).  Deus deu nome a Adão (Gn.5.2) que, por sua vez,  nomeou os animais (Gn.2.20) e também a sua esposa (Gn.3.20).  Até hoje, quando nasce uma criança, uma das primeiras providências é dar-lhe um nome de acordo com o que ela é, homem ou mulher. Identificação e identidade são importantes para não confundirmos as coisas ou as pessoas. A indefinição não é boa.
O próprio Deus tem vários nomes (Elohim, Javé, Adonai, El-Shaday, etc), os quais foram surgindo no relato bíblico, sempre relacionados à revelação progressiva da natureza divina.  Diante da sarça ardente, Moisés perguntou pelo nome do Senhor. A resposta foi “Eu Sou”, um nome que revela a autossuficiência de Deus.
No Novo Testamento, somos ensinados a chamar o Senhor de “Pai” e aprendemos também sobre o nome que está acima de todos os nomes: Jesus, pelo qual somos libertos, curados e salvos.
Como disse Salomão, “Melhor é o bom nome do que o precioso perfume” (Ec.7.1).  O nome carrega uma história, uma reputação, sendo motivo de orgulho ou vergonha. Pode representar direito e autoridade, abrir e fechar portas, tornando-se um patrimônio a ser preservado. Em nossa sociedade, temos o conceito do nome “limpo” ou “sujo”, que possibilita ou impede a obtenção de crédito.
Atualmente, os nomes também podem ser valiosas marcas comerciais, quando relacionados à excelência de produtos e serviços.  
Os nomes deveriam sempre estar vinculados à identidade, ao caráter e à natureza das coisas e pessoas, mas, infelizmente, nem sempre é assim.  Alguns são enganosos, como acontece com um cachorro chamado Tigre. Hoje em dia, encontramos homens com nome de mulher e vice-versa. Na Internet, existe a possiblidade de se utilizar um “nickname” ou apelido que esconde a identidade, funcionando como proteção ou disfarce.
Precisamos ser cautelosos, pois muitos rótulos bons podem ocultar um conteúdo ruim ou  até venenoso.  A bíblia contém exemplos desse tipo. “Babel” significa “porta de Deus”, mas era apenas um empreendimento humano.  O nome “Judas” é derivado de “Judá”, que significa “louvor”, mas o caráter do apóstolo traidor não correspondia ao seu bom nome. 
Em nossos dias, as nomenclaturas são mudadas com o intuito de enganar ou atenuar a gravidade de alguma coisa. Eufemismos pretendem tornar o pecado mais suave e aparentemente inofensivo. Um nome novo dribla bloqueios psicológicos e sociais relacionados ao antigo.  Assim,  a prostituta tornou-se “garota de programa”; adultério virou “caso”; roubo é “desvio de verba” e a pornografia chama-se agora “nudes”.  Podem trocar o rótulo da cachaça, mas a queda do bêbado continua igual.
“Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo” (Isaías 5.20).
Até mesmo uma religião ou seita pode ter um nome maravilhoso que esconde uma doutrina maligna.
Além do nosso nome pessoal, ganhamos ou incorporamos muitos títulos, adjetivos e substantivos, mas qual é a nossa natureza? Quem somos e o que fazemos?  Isto é o que, de fato, interessa.
Detalhe importante é que ninguém deve dar nome a si mesmo, mas recebê-lo de outrem após um procedimento natural de reconhecimento. Portanto, a primeira atitude diante de alguém que se auto-intitula deve ser de desconfiança seguida, talvez, por um pedido de comprovação. 
“Puseste à prova os que dizem ser apóstolos e não são, e tu os achaste mentirosos” (Ap.2.2).
“Mas tenho contra ti que toleras Jezabel, mulher que se diz profetisa, a ensinar e enganar os meus servos” (Ap.2.20).
Precisamos tomar cuidado com a ilusória satisfação que os bons títulos proporcionam. Eles podem ser úteis e necessários, mas não devem nos impressionar, sujeitando-nos a possíveis enganos. Respeite com cautela e observe. Jesus disse que a árvore boa produz frutos bons, mas a árvore má produz frutos maus (Mt. 7.15-23). Não sejamos como algumas árvores que precisam de placas identificadoras, mas tenhamos bons frutos que testifiquem a nosso respeito. 
Triste foi a situação do líder da igreja de Sardes, sobre o qual o Senhor Jesus disse: “Tens nome de que vives, mas estás morto” (Ap.3.1).
Contudo, a palavra de Deus nos traz esperança.
Diante de seu pai, Jacó disse “Eu sou Esaú”, mas, diante do anjo, precisou confessar “Eu sou Jacó”, que significa “suplantador”. Precisamos assumir diante do Senhor nossa natureza e nossos erros. Então, ele pode nos tocar e transformar. Naquele encontro transformador, o Senhor disse “Não te chamarás mais Jacó, mas Israel; pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens, e prevaleceste” (Gn.32.28).
Da mesma forma, Deus mudou o nome de outros personagens bíblicos, como Abraão, Sara e Pedro, demonstrando a mudança realizada em suas vidas. 
O propósito do evangelho é nos transformar, de modo que nos tornemos cada vez mais parecidos com Jesus.  Quando este processo terminar, receberemos um novo nome, por ocasião da nossa entrada na glória celestial.
“Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer darei a comer do maná escondido, e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe” (Ap.2.17).
“A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome” (Ap.3.12).


Pr. Anísio Renato de Andrade

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

O TEMPO E AS EXPECTATIVAS





Depois da ressurreição de Cristo, os discípulos tiveram suas esperanças renovadas no sentido de verem Israel liberto de Roma. Então, perguntaram ao Mestre:
"Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel? E ele lhes disse: Não vos compete saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder. Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra" (At.1.6-8).
Quando se aproxima o final do ano, muitas pessoas intensificam suas orações, desejando que Deus as abençoe "ainda neste ano" por meio de uma realização de ordem material, sentimental ou profissional.  Querem um emprego novo, um namoro, um casamento ou um dinheiro extra.
Depois, quando começa o ano novo, esperam que aconteça tudo o que não aconteceu antes, como quem diz: "Tem que ser agora".  
O ano passa e algumas coisas acontecem, outras não, e a expectativa se concentra no ano seguinte.
É claro que Deus sempre pode nos abençoar, mas talvez estejamos esperando algo que não acontecerá, ou não de imediato.
O problema que envolve certas expectativas é a eventual decepção de alguém que colocou um prazo para ver o resultado da sua fé ou a realização dos seus sonhos. Acontece que Deus não segue o nosso calendário. Que diferença faz pra ele, se hoje é 8 de janeiro ou 15 de outubro?
Nossos alvos e metas devem ter prazos, mas não devemos pensar e agir como se pudéssemos “colocar Deus na parede”.  Nossa “pressão” deve ser sobre nós mesmos, para que a nossa parte seja feita dentro de parâmetros razoáveis.
Existe um tempo determinado para cada propósito (Ec.3) e, em muitos casos, não podemos antecipar ou queimar etapas.
A bíblia compara as ações e resultados da nossa vida às semeaduras e colheitas. Existe uma ocasião adequada para semear e outra para colher. Devemos respeitar a idade certa, aproveitar as oportunidades e evitar as armadilhas.
A época da colheita vai depender do quê estamos plantando. Quem deseja colher muito rápido, deve plantar alface. A espera será de poucos dias, mas o resultado não será muito valioso. Árvores frutíferas, porém, demoram anos para produzir. Mas, se o que se pretende é a extração de boa madeira, o plantio será feito por uma geração para que outra colha.
Portanto, tudo depende do tipo de resultado esperado. Por exemplo, nas questões de relacionamento, não se deve precipitar. Quem está com pressa pode comprometer a qualidade.
Tenha propósitos bons. Escolha bem as suas sementes, semeie, cuide e espere o tempo certo. Se o resultado não aparecer neste ano nem no próximo, continue fazendo o que deve ser feito, com paciência e perseverança. Na ocasião certa, o fruto aparecerá.
Deus pode fazer um milagre, de tal forma que uma árvore cresça e frutifique em um só dia, mas isto geralmente não acontece, pois foi ele mesmo quem estabeleceu as leis naturais e espirituais. Devemos respeita-las.
Acima de tudo, precisamos crer que Deus tem os seus propósitos para nós. No caso dos discípulos, Jesus tinha um plano que estava muito além das expectativas individuais. Dentro de poucos dias, eles seriam cheios do Espírito Santo, dando início a um movimento evangelístico rumo aos confins da terra. O plano de Deus é melhor.
Pr. Anísio Renato de Andrade

EMBALAGENS E CONTEÚDOS




Além dos propósitos originais de transporte e proteção dos produtos, as embalagens também servem para torná-los mais atraentes ou, se possível, irresistíveis.  O problema é que, muitas vezes, elas também são utilizadas para enganar o cliente, prometendo e anunciando muito mais do que a realidade pode oferecer.
Uma embalagem linda, colorida e de boa qualidade pode esconder um produto feio, ruim e inútil. Uma grande caixa opaca pode conter pequena quantidade de produto. Invólucros transparentes resolveriam esse tipo de problema, mas poderiam também reduzir as vendas. Tal seria o efeito da sinceridade extrema.
Pior ainda é a embalagem vazia ou contendo algo diferente do que foi encomendado e pago. É o que acontece com algumas compras virtuais. Recentemente, um consumidor pagou por um notebook e recebeu uma caixa com tijolos.
O ser humano é muito iludido pelo que vê. Certamente, não vamos desvalorizar a beleza, mas ela não deve ser o fator determinante para as nossas escolhas.
No caso das pessoas, aparência, educação, eloquência e riqueza funcionam como embalagens, e tudo isso tem o seu valor, mas o conteúdo, bom ou mau, está no caráter. 
Por isso, podem ocorrer enganos na escolha de amigos, namorados, representantes políticos, líderes espirituais etc.
A bíblia nos ensina o caminho da fé na busca do invisível, de modo que não sejamos dependentes de fatores externos que poderiam nos enganar. Por isso, está escrito: "Não farás para ti imagem de escultura" (Ex.20). A espiritualidade não deve ser influenciada ou definida pela beleza das artes.
Sobre o Messias, está escrito: "Olhando nós para ele, nenhuma beleza víamos para que o desejássemos" (Is.53). O propósito de Jesus não era uma conquista baseada em valores superficiais.
Ele mesmo disse: "O Reino de Deus não vem com visível aparência" (Mt.17.20). "Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Pelos seus frutos os conhecereis" (Mt.7.15-16). Não se precipite em suas conclusões. Espere que o fruto mostre a natureza da árvore.
É importante que não nos enganemos com as embalagens alheias, mas, sobretudo, não podemos nos enganar com as nossas próprias embalagens.
Como disse Tiago: "Sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos... Se alguém entre vós cuida ser religioso, e não refreia a sua língua, antes engana o seu coração, a religião desse é vã" (Tg.1.22,26).
Quanto às mulheres, está escrito: "o enfeite delas não seja o exterior, no frisado dos cabelos, no uso de jóias de ouro, na compostura dos vestidos; mas no coração; no incorruptível traje de um espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus" (IPd.3.3-4).
O Tabernáculo de Moisés tinha um aspecto exterior belo, porém modesto, com madeira, tecidos e peles de animais. Entretanto, quem entrasse nele encontraria várias peças de ouro puro.   Nós também, como templos de Deus, precisamos investir mais nos valores interiores, sendo cheios da palavra de Deus e do Espírito Santo (Col.3.16; Ef.5.18).
Esta reflexão pode nos deixar em dúvida a respeito das pessoas, inclusive sobre nós mesmos. O que será que existe no meu coração? Estarei fingindo ser o que não sou?  Posso estar enganado acerca dos meus líderes, parentes e amigos?
Nem todas as pessoas são fingidas. Muitas assumem claramente o que são. Seu conteúdo está à mostra.  Para as que querem enganar, inclusive no caso do auto-engano, existe o dia da revelação, a hora de “desembrulhar o presente”. 
É o que acontece nas tentações, crises, conflitos, perseguições e perdas. O que está no coração vem à tona. As máscaras caem e cada um revela sua verdadeira identidade. Momentos assim são ideais para conhecermos bem as pessoas.
Nenhum de nós é totalmente puro e incapaz de pecar.  O próprio Davi, que estava aparentemente bem diante de Deus e dos homens, sucumbiu no dia da tentação.  Depois, arrependido, ele pediu a Deus: "Cria em mim um coração puro e um espírito reto" (Sl.51).  Ele sabia que precisava ser purificado profundamente, muito além das aparências. Nós também precisamos, pois o Senhor vê além dos rótulos e das embalagens. Além das ações e palavras, ele contempla nossos pensamentos, sentimentos e intenções. Oremos como o salmista que disse: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração. Prova-me e conhece os meus pensamentos. Vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno” (Salmo 139.23-24).


Pr. Anísio Renato de Andrade

sábado, 31 de outubro de 2015

O PERIGO DO PODER SEM DOMÍNIO




“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra” (Gn.1.26).
Deus fez o homem para dominar. O problema começou quando o homem não dominou seu próprio desejo. 
Hoje, o ser humano domina desde as feras até as naves espaciais, mas muitos não dominam a si mesmos. Esta é a parte mais difícil.
“Como a cidade derrubada, sem muros, assim é o homem que não controla o seu espírito” (Pv.25.28). Quem não se controla não se protege.
Muitas vezes pensamos que somos capazes de dominar certas situações perigosas, mas o correto seria dominar a si mesmo, evitando participar delas.

O poder está no fazer. Domínio próprio é parar. 
Força é motor. Autocontrole é freio.   
Deus nunca nos mandou dominar Satanás, mas a nós mesmos. Assim evitaremos suas ciladas.
Temos pleno domínio antes do envolvimento com o pecado. Depois, somos dominados por ele. Essa mudança ocorre quando falamos, fazemos, aceitamos ou experimentamos o que não deveríamos. O que parece um ato sem compromisso pode tornar-se um eterno tormento. Assim começam os vícios e os envolvimentos indevidos.
Enquanto estamos calados, somos senhores dos nossos pensamentos. Depois que falamos, as palavras nos dominam, podendo até mudar o rumo das nossas vidas.
Quando Davi viu Batseba se lavando, ele ainda tinha o domínio de seus próprios atos. Depois que a possuiu, a situação tornou-se incontrolável como uma carreta sem freios na descida. Ele tomou uma série de providências para se livrar das consequências dos seus atos, mas não conseguiu. O rei não tinha poder? É claro que tinha. O que lhe faltou foi o domínio sobre os seus próprios desejos.
Sansão foi o personagem bíblico mais forte, mas mostrou-se fraco diante dos pecados sexuais. Por fim, a falta de controle sobre a língua custou-lhe os cabelos, a força, a liberdade, a visão, e a vida.
O fruto do Espírito e as obras da carne são opostos entre si (Gal.5.19-22). Assim como o amor resume bem o fruto, a falta do domínio próprio explica muitas daquelas obras pecaminosas listadas pelo apóstolo Paulo. A falta do auto-controle está relacionada à ira, glutonaria, bebedice, prostituição, pelejas, dissenções e homicídios. A mesma relação ocorre com algumas transgressões dos 10 mandamentos.
O fruto é do Espírito, mas o domínio é “próprio”. Deus dá ao cristão a capacidade de se controlar. O jejum é um exercício de auto-controle. Calar-se é também uma boa prática, principalmente quando sabemos que vamos ofender, mentir ou fazer compromissos precipitados.
Que Deus nos ajude a dominar nossas inclinações carnais com seus apetites e impulsos. Rendamo-nos ao senhorio de Cristo, pois a ele pertence todo poder e todo o domínio para sempre.
Pr. Anísio Renato de Andrade

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

O ATLETA CRISTÃO




Todo aquele que quer ser um campeão precisa se abster de algumas coisas, ainda que sejam lícitas. O que é ilícito então, nem se fala. Caso contrário, antes mesmo de ser derrotado, já estará desqualificado.
Alguns vícios, como drogas, fumo e álcool, e certas atividades que demandam muita energia são incompatíveis com a prática esportiva, pois podem debilitar o corpo e a mente. 
Mas nem só de abstinência se faz um vencedor. O atleta precisa se alimentar adequadamente e dormir bem, evitando todo tipo de excesso. Além disso, deve dedicar-se a uma rotina de exercícios pesados que não apresentam resultados imediatos, mas são indispensáveis ao bom desempenho nas competições. Uma dedicação esporádica, rápida, leve e sem compromisso não o levará a lugar algum.
Sua boa forma física, seu peso e sua saúde são fatores fundamentais para o seu sucesso.
O apóstolo Paulo escreveu aos cristãos de Corinto, na Grécia, onde já aconteciam os jogos olímpicos. Ele comparou o cristão ao atleta, dizendo:
"Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível" (1Co.9.24-25).
Quando se tem um objetivo a alcançar, muitas coisas precisam ficar para trás. Não podemos ter ou fazer tudo ao mesmo tempo. Se alguém quer servir a Cristo, deve abandonar Mamom. Se somos amigos de Deus, não podemos ser amigos dos prazeres pecaminosos.
Tudo isso pode ser resumido em duas palavras: renúncia e disciplina.
Precisamos também resistir ao desânimo e às palavras negativas daqueles que nos querem fazer desistir.
O cristão também tem exercícios espirituais a realizar, tais como o jejum, a oração e  a dedicação à palavra de Deus.
O jejum é um exercício de domínio próprio e combate à glutonaria.
A oferta é um exercício de generosidade e combate à avareza.
A leitura bíblica é o exercício do conhecimento e combate à ignorância.
Nosso alvo espiritual não é conseguir casa, carro, emprego, casamento e dinheiro, mas sim cumprir o propósito do Senhor em nossas vidas, em santificação e serviço.
O esforço pode ser grande, mas o prêmio é maior. O resultado será a vitória. A bíblia diz que Deus tem um galardão para nós, uma recompensa na glória celestial. O Senhor Jesus é o nosso principal exemplo. Quando ele esteve aqui na terra, viveu em disciplina e renúncia para que a vontade do Pai fosse realizada.
"Portanto, nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta; olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus" (Heb.12.1-2).

Depois, olharemos para trás com a certeza de que tudo valeu a pena, valeu demais.

            Pr. Anísio Renato de Andrade

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

ANIMAIS PUROS E ANIMAIS IMUNDOS




Regras alimentares mosaicas e suas lições espirituais.

Logo que o homem foi criado, Deus só lhe permitiu comer alimentos de origem vegetal (Gn.1.29). A restrição talvez fosse para proteger os animais até que se multiplicassem. Por outro lado, não faria sentido o sofrimento daquelas criaturas antes do pecado.
Depois do dilúvio, Deus permitiu o consumo de carne (Gn.9.3). A regra mudou de acordo com o propósito divino em cada época. O mesmo ocorreu entre o Antigo e o Novo Testamento.
No livro de Levítico, capítulo 11, encontramos uma lei especial para Israel, determinando os animais que serviriam ou não para se comer. A pureza ou a imundícia de um animal estava relacionada, geralmente, ao tipo de alimento que ele comia. Os animais herbívoros eram puros; os carnívoros, principalmente os de rapina, eram imundos.
Esta é uma caracterização das aves e dos animais da terra firme, mas  havia outros fatores em relação aos seres aquáticos e insetos.
Aquela legislação poderia parecer opressora, mas, de fato, tinha o objetivo de proteger a saúde dos israelitas, evitando contaminações, doenças, epidemias e o possível extermínio do povo de Deus. Além disso, só os animais puros serviriam para o sacrifício.
Nós, que não somos judeus, não estamos sujeitos àquelas leis. Paulo instruiu os coríntios a comerem todo tipo de carne encontrada no açougue (ICo.10.25).
Entretanto, a lei de Moisés é palavra de Deus para nós e continua sendo útil para nos ensinar profundas lições espirituais. As regras alimentares devem ser vistas dentro do principal tema de Levítico, que é a santificação. A questão dos animais puros ou imundos nos deve fazer refletir sobre coisas santas e profanas, sobre a santidade e o pecado.  É preciso observar a diferença entre a sujeira e a pureza, entre as trevas e a luz, entre o ímpio e o justo (Lv.10.10; Ez.44.23. Mal.3.18). 
O israelita poderia querer comer de todos os animais que encontrasse, mas a lei determinou limites e parâmetros. Devemos aceitar o "sim" o "não" de Deus em todas as áreas das nossas vidas. Nem tudo será aceitável diante dele.
Quais seriam os critérios para definir se um animal era próprio ou impróprio para o consumo humano? A fome é a regra? O desejo, o apetite, a necessidade? Seria a aparência do animal? Seria uma questão de experimentar para decidir? Então, o sabor era o fator determinante? Não. Nem tudo que é gostoso é bom.
Quais são os critérios que utilizamos para fazer nossas escolhas na vida? Por trás de uma boa aparência pode haver contaminações invisíveis e perigosas.  Deus estabeleceu leis para que os israelitas sequer experimentassem certos alimentos pois, uma vez instalada, a contaminação é difícil de ser removida.
Deus determinou as regras, mas não deu explicações científicas. Ele tem motivos suficientes para as proibições morais e espirituais que nos ordenou, ainda que não compreendamos. Não devemos questionar, mas obedecer.  Não adianta inventar escapes. Não adiantaria lavar o animal imundo. A impureza não é superficial. A porca lavada volta ao lamaçal (2Pd.2.22). Não podemos tornar lícito o que Deus proibiu. Não adiantaria argumentar que todos os animais foram criados por Deus. É claro que foram, mas muitos deles têm outros propósitos e não foram feitos para a nossa alimentação. O camelo é para o transporte. O cão para a segurança. O urubu para a faxina ambiental.
Em tudo isso, o mais importante não são as questões alimentares, mas os princípios espirituais que devem reger as nossas vidas, de modo que não nos contaminemos com as coisas que Deus proibiu. Que o desejo, a aparência e o sabor não sejam os parâmetros que determinam os rumos da nossa existência. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

Pr. Anísio Renato de Andrade